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‘Uberização’ chega ao mercado de imóveis e parece ter vindo para ficar



Se as pessoas dispensam cada vez mais os táxis, chamam motoristas por aplicativos, como da Uber, e usam esse tipo de tecnologia até para pedir lanches, era improvável que ‘uberização’ não chegasse também ao mercado de imóveis.

Empresas já oferecem plataformas para conectar vendedor e comprador, locador e locatário. Prometem agilidade e tentam atrair as atenções não cobrando comissões, apenas uma taxa para usar o serviço.

Como o setor imobiliário envolve quantias maiores e há poucas empresas do tipo no mercado brasileiro, ainda não há uma adesão forte a esse tipo de serviço. Mas, caso os aplicativos obtenham sucesso, futuramente as imobiliárias poderão ser afetadas.

Para o presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Carlos Samuel de Oliveira Freitas, os novos modelos de negócio já são uma realidade e estão seguindo a demanda atual. Para ele, essas ferramentas promovem uma mudança no mercado.

“A tendência é que todos se adaptem para competir com um mercado mais inovador. A mudança dá a chance de as administradoras fazerem melhor, oferecendo serviços diferenciados e atendimentos personalizados para cada tipo de cliente. Por mais simplificado que um aplicativo possa ser, as administradoras contam com a expertise em contratos”, diz ele.

Fundador de uma startup imobiliária que conecta proprietários direto com interessados, Felipe Bogoricin Braga acredita que a ‘uberização’ é um processo pelo qual o mercado vem passando. Para ele, a forma tradicional de negociação é burocrática e demorada.

“Decidimos criar um modelo onde o proprietário negocia direto com o interessado, assim tudo fica mais rápido. Não trabalhamos com comissão de 6% sobre valor do imóvel, apenas uma pequena taxa. Com essa nova opção, eventualmente as pessoas não vão mais anunciar totalmente independentes e nem com uma imobiliária tradicional”, acredita.

Realidade

Freitas diz que os novos modelos digitais são uma realidade e a tendência é que cresçam. “Não sabemos ainda qual sucesso esses aplicativos terão, mas há lugar para todo mundo no mercado imobiliário: as tradicionais e as startups”.

Braga avalia que já há um crescimento do serviço no Brasil. “Vai mudar totalmente o mercado, tornando a venda ou aluguel mais ágil e menos burocrático. É iminente o crescimento dessas novas empresas, a sociedade aceitou muito bem”.

Cuidados

O presidente da Abadi ressalta que contar com um profissional capacitado nas intermediações faz diferença, porque é o elo de garantia entre as partes. “As administradoras e os corretores de imóveis vêm se atualizando e modernizando para proporcionar melhores experiências com seus clientes”.

O fundador da startup defende que tudo fica mais fácil com o aplicativo. “O cliente conhece o interessado, pega o telefone e negocia todos os valores. Quando precisar de ajuda com documentação, temos uma equipe de pós-venda que assessora”, afirma Felipe Braga.

Os conselhos regionais dos corretores de imóveis (Crecis) avaliam que pode haver concorrência desleal no sistema, dispensando o corretor de imóveis. Para Carlos Freitas, o modelo ainda precisa evoluir, mas o ideal é que as administradoras já pensem em modernização. “Com foco no consumidorfinal”.

Não existe concorrência desleal, defende Braga. “Com a tecnologia, temos um serviço melhor, mais barato e transparente. Desleal é o proprietário de imóveis pagar por um serviço caro e que muitas das vezes é de má qualidade”.

Fonte: Revista ZAP em Casa

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