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Lixo: futuro garantido com cuidado ao alcance das mãos



Realidade em condomínios e residências, coleta seletiva também conta com apoio do poder público

O lixo doméstico pode causar os impactos mais danosos ao meio ambiente, com consequências capazes de prejudicar até mesmo as futuras gerações. Felizmente, evitar esse problema está ao alcance de todos. A coleta seletiva, que separa resíduos recicláveis do lixo comum, é uma passo importante para que toda uma cadeia de sustentabilidade possa acontecer. Em Niterói, tanto o poder público quando a iniciativa privada possuem ações de incentivo para que o cidadão pratique o descarte correto. Especialistas afirmam que quando incentivados a adesão dos moradores de prédios para separação do lixo chega a 100%.

Entre os maiores impactos negativos para o meio ambiente, consequentes do lixo urbano, estão os resultados do manejo inadequado de resíduos sólidos nas margens de rios ou dos cursos de água. Práticas que, quando feitas de maneira inadequada, podem provocar, entre outras coisas, poluição visual, mau cheiro, contaminação da água, assoreamento, enchentes e proliferação de transmissores de doenças como ratos, baratas, moscas e vermes, com explica o sócio-diretor do Instituto Brasileiro de Gestão da Hospitalidade, Armando Lardosa.

A reciclagem, segundo ele, é uma das melhores práticas adotadas para redução desses danos ambientais consequentes desse tipo de resíduo. Mas para que o reaproveitamento seja possível é importante que o descarte aconteça de forma correta e possibilite que a reutilização desse material aconteça. 

“Muitos desses materiais podem levar mais de 100 anos para se decompor e, nesse meio tempo, também se tornam criadores de vários vetores nocivos, como o mosquito transmissor da dengue. Felizmente, hoje as administrações de condomínios residenciais já praticam vários procedimentos que favorecem o reaproveitamento, como a coleta seletiva”, explica Lardosa.

Políticas públicas de incentivo, principalmente com redução de custos para os condomínios, trazem benefícios para os grandes centros em termos econômico e social. Essas ações, ainda que tímidas, sempre alcançam bons resultados e inspiram o surgimento de cada vez mais gestores conscientes nas esferas públicas e privadas”, explica Armando.

“Entre as principais ações implantadas hoje para diminuição do impacto ambiental, está o aproveitamento de água da chuva, reutilizada em serviços de jardins e limpeza. Iluminação com tecnologia LED, que proporciona redução no consumo e emissão de calor. As estações de tratamento de esgoto (ETE) que causam a redução nos custos de infraestrutura das empresas saneadoras nas grandes cidades e a implantação do uso de energia solar, uma energia limpa, renovável que pode desonerar muito o Estado e baratear custos do condomínio”, explica.

A coleta seletiva consiste em separar o lixo para que ele seja enviado para reciclagem, ou seja, não misturar materiais recicláveis com o restante do lixo, de forma a permitir que o reaproveitamento aconteça. Uma prática estimulada pelo administrador de nove condomínios em Niterói, o síndico profissional David Lima, que afirma que a adesão dos moradores para descarte correto do lixo doméstico chega a 100%.

“A maioria dos moradores participa e colabora. Manda os materiais já limpos e lavados. Ninguém reclama de participar, pelo contrário, até gostam. Particularmente, gosto muito de cuidar da gestão do lixo, pois tenho consciência da importância desse trabalho. Nem sempre é possível fazer o descarte da maneira ideal, porque isso depende de um espaço exclusivo para esse fim, o que nem todos os prédios têm”, explica o síndico.

Cada um faz sua parte. Os condôminos separam os lixos e o condomínio cuida da entrega para coleta da prefeitura, explica David, ressaltando que também tem o cuidado de retirar os vidros do lixo reciclável para que ninguém se machuque durante as etapas de transporte do material. 

“Mesmo não conseguindo nos beneficiar com as políticas públicas de Niterói, como bônus na conta de luz ou troca por produtos de limpeza, porque isso requer que a gente leve o lixo até os pontos de coleta, ainda assim, ficamos satisfeitos com a sensação de dever cumprido. Saber que colaboramos para preservação do meio ambiente traz uma sensação de dever cumprido. A gente precisa cuidar para que nossos filhos, netos e bisnetos possam desfrutar do planeta que hoje está entregue a nós”, alerta David. 

Incentivos – Considerado um dos poluentes mais nocivos ao meio ambiente proveniente das residências, o óleo de cozinha tem um destino menos impactante em Niterói. Isso porque, a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) possui um programa responsável pelo recolhimento e destinação do óleo (Clin Óleo), que é transformado em sabão biodegradável ou em biocombustível. Além do recolhimento dos litros de óleo de cozinha, a Clin também desenvolve ações de fiscalização e distribuições de folhetos de campanha de conscientização sobre os resíduos domiciliares e suas destinações corretas.

Outra ação importante para o incentivo do descarte correto do lixo doméstico na cidade, o Ecoampla, criado em 2008, é um programa social e ambiental da concessionária Ampla, que estimula a troca de resíduos recicláveis por bônus na conta de energia, nos municípios em que a empresa atua. Nos últimos oito anos de programa, já arrecadou mais de seis mil toneladas de resíduos recicláveis nas dez cidades atendidas pela empresa, gerando mais de R$ 1 milhão em bônus e beneficiando mais de 40 mil consumidores.

“Com o Ecoampla, estamos ajudando a construir uma sociedade mais sustentável, já que todos os resíduos são encaminhados para a reciclagem de forma correta. Além disso, o projeto exerce sua função social, na medida em que possibilita que o cliente pague a sua conta de luz com os bônus concedidos com os resíduos, ajudando o consumidor a adequar o valor da conta ao orçamento familiar”, afirma Odailton Arruda, responsável por Eficiência Energética da Enel Brasil.

Para a jornalista Márcia Pereira, de 59 anos, o descarte seletivo do lixo é um hábito aprendido que ela tem orgulho de cultivar. “Aprendi a separar o lixo com uma amiga que mora em Curitiba. Passei oito meses lá e vi como a prefeitura levava a sério isso. Decidi então que deveria fazer a minha parte. Desde então, separo o lixo seco do molhado, para que ele seja reaproveitado de algum modo. Me sinto bem quando colaboro com a natureza, não poluindo ainda mais o nosso planeta. Pode ser pouco, mas se todos tivessem essa consciência, o mundo com certeza estaria muito melhor”, conclui Márcia. 

Fonte: O Fluminense

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